Quase quatro anos após o duplo assassinato no Shopping Popular, em Cuiabá, Welinton Gabriel da Silva Lacerda foi condenado a 30 anos e quatro meses de prisão pela participação na execução de Josionaldo Ferreira de Araújo, morto a tiros dentro do centro comercial, em dezembro de 2022. A sentença foi definida pelo Tribunal do Júri nesta terça-feira (3), que reconheceu o envolvimento do réu no homicídio, cometido a mando de uma facção criminosa.Os jurados acolheram a tese apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), representado pelo promotor de Justiça Rodrigo Ribeiro Domingues, e condenaram Welinton por homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, além de participação em organização criminosa. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado.O crime ocorreu na noite de 19 de dezembro de 2022, durante o horário de funcionamento do Shopping Popular, diante de comerciantes e consumidores. Conforme as investigações, Josionaldo foi executado por supostamente descumprir regras impostas pela facção criminosa que controlava a comercialização de cigarros contrabandeados no estabelecimento.De acordo com a denúncia, a execução foi planejada por integrantes da organização criminosa, com divisão de tarefas e articulação entre os envolvidos, inclusive pessoas que estavam presas. Outro acusado, Bruno Fernandes de Souza Costa, conhecido como Bruninho, já havia sido condenado a 24 anos e quatro meses de prisão pelo mesmo crime, em novembro de 2024. Os demais denunciados ainda não tiveram seus processos definitivamente julgados.O julgamento de Welinton marcou a primeira sessão do Projeto Mais Júri na Comarca de Cuiabá. A iniciativa busca ampliar a quantidade de julgamentos pelo Tribunal do Júri e reduzir o acervo de processos relacionados a crimes dolosos contra a vida. Escrito por Sandra Barreto jornalista grupo ws comunicação| > Portal do Nortão Sinop -MT)
Detentos da Cadeia de Campo Novo do Parecis fazem curso de marcenaria com 160h
Detentos da Cadeia de Campo Novo do Parecis fazem curso de marcenaria com 160h Onze pessoas privadas de liberdade da Cadeia Pública de Campo Novo do Parecis participam de um curso de marcenaria com 160 horas de duração, oferecido pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci). A iniciativa integra o Programa Estadual de Qualificação (PEQ) e é realizada pela Escola Técnica Estadual (Etec) de Tangará da Serra, em parceria com a unidade prisional, com o objetivo de ampliar as oportunidades de trabalho e contribuir para a reinserção social após o cumprimento da pena.Qualificação profissional abre novas perspectivasA formação combina aulas teóricas e atividades práticas. Os participantes recebem orientação para desenvolver habilidades técnicas e aprimorar conhecimentos na área da marcenaria. Ao final do curso, a proposta é garantir certificação profissional, que poderá ser utilizada na busca por oportunidades de trabalho fora do sistema prisional.Um dos participantes já tinha experiência no setor antes de ingressar na capacitação. Para ele, o curso representa a oportunidade de aperfeiçoar o que aprendeu e construir uma trajetória profissional depois de deixar a unidade.O reeducando também destacou a importância de conseguir uma fonte de renda por meio do próprio trabalho e de oferecer melhores condições à família. Segundo ele, a formação representa uma possibilidade concreta de retomar a vida em sociedade e se afastar de atividades ilegais.“É uma segunda chance. Essa parceria está ajudando muito a gente a voltar à vida em sociedade. Tenho muito ânimo para trabalhar e saber que estou ganhando com o meu próprio suor, sem depender de coisas erradas”, afirmou.Curso transforma atividade existente em formação profissionalA marcenaria já fazia parte das atividades desenvolvidas pelos reeducandos na Cadeia Pública de Campo Novo do Parecis. A parceria com a Seciteci acrescenta uma estrutura de ensino à prática que já existia, com acompanhamento pedagógico, professores qualificados e possibilidade de certificação.Na avaliação da diretora da Etec de Tangará da Serra, Wérica Nascimento, a educação profissional pode contribuir para ampliar as perspectivas de quem busca reconstruir a própria história. Ela destacou que o Programa Estadual de Qualificação Profissional permite levar oportunidades de aprendizagem a públicos que enfrentam obstáculos para ingressar no mercado de trabalho.A equipe da escola técnica também acompanha os aspectos pedagógicos e administrativos da formação. A supervisora regional Ester Carvalho explicou que o trabalho busca garantir condições adequadas para o desenvolvimento das atividades e o aproveitamento dos estudantes.O que diz a Lei de Execução PenalA oferta de educação e qualificação profissional a pessoas privadas de liberdade tem respaldo na Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210/1984). A legislação prevê assistência educacional às pessoas presas e estabelece a educação profissional como parte das ações de formação durante a execução da pena.Os artigos 17 e 18 tratam da assistência educacional e da instrução escolar e formação profissional. Já o artigo 19 aborda a educação profissional em nível de iniciação ou aperfeiçoamento técnico. Essas disposições integram uma política de execução penal que também busca criar condições para o retorno à convivência social.Na unidade de Campo Novo do Parecis, a certificação é um dos diferenciais da parceria. Além de aprender novas técnicas, os participantes poderão comprovar formalmente os conhecimentos adquiridos, um recurso importante na apresentação de qualificações a possíveis empregadores. Escrito por Sandra Barreto jornalista grupo ws comunicação| > Portal do Nortão Sinop -MT)