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Filha pede justiça, cita traumas da irmã e contesta laudo de agrônomo que matou esposa em Lucas

Caroline Fernandes, filha de Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, que foi vítima de feminicídio em junho deste ano, em Lucas do Rio Verde, se pronunciou ontem, nas redes sociais, após um laudo da Politec atestar que o engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson pode ser considerado inimputável em razão de quadro depressivo. Caroline, que passou a cuidar da irmã de 7 anos, que também foi vítima de facadas e sobreviveu, citou o histórico do suspeito, bem como falou sobre as dificuldades após a morte da sua mãe.

Como alguém que se formou, que trabalhava, que já teve carteira assinada, que tem um CNPJ, que já tirou passaporte, que dirigia, que fazia todas as atividades rotineiras possíveis, pode ser dito como “mentalmente insano”?. “Estava com depressão, tomava remédio, surto psicótico, aplicou “Ozempic (essa é ótima). Às vezes parece uma piada de muito mau gosto”.

Ela segue os questionamentos. “Engraçado que, quando ia fazer churrasco, beber, fazer festa, ou discutir com a minha mãe por qualquer coisinha, estava com plenas faculdades mentais. Quando ele fazia planilhas no computador, sobretudo o que ela gastava para cobrá-la, ele era são. Quando ele fazia questão de estragar datas comemorativas, que sempre foram importantes para minha mãe, implicando com ela a ponto de desanimá-la, ele estava lúcido. Quando se afastava dela emocionalmente quando algo legal acontecia para ela, ao invés de se alegrar e comemorar junto, não era “doente”. Maldade, crueldade, egoísmo e inveja. Não são doenças. São escolhas”.

“Como alguém incapaz de compreender o que estava fazendo no momento dos fatos, abraça a própria filha pedindo desculpas por ter assassinado a mãe dela, enquanto ela dorme ao lado, e a apunhala com quatro facadas nas costas. Deita ela e desfere mais quatro no peito? Como alguém em surto manda mensagem para o irmão contando o que fez? Conversa no telefone? Silêncio em depoimento não é surto. É autodefesa”.

Caroline também citou sobre o recomeço após a morte da mãe, cuidados com sua irmã que está sob sua guarda. “Minha irmã tem medo de dormir sozinha, tem medo de dormir primeiro que eu, tem medo de acordar depois de mim, me pede para guardar os talheres antes de dormir. Precisa de acompanhamento psicológico, psiquiátrico, cardiológico, neurológico, nefrológico, e todos os “lógicos” que vocês conseguem pensar. Toma medicação controlada. Tem cicatrizes que doem, física e psicologicamente, que a envergonham. Passou 22 dias na UTI. Precisou reaprender a comer, a andar, tem algumas sequelas motoras até hoje. Nossa mãe foi tirada de nós, nossas casas, meu trabalho, a escola que ela amava, os colegas que ela sente muita falta. Nossa única sorte, foi ainda assim ter para onde voltar. Termos família, amigos, pessoas tão maravilhosas ao nosso redor. Gente que suporte esse tempo”.

Ela acrescenta ainda dificuldades pessoais. “Eu perdi 10 quilos, perdi emprego, perdi casa, perdi tudo ao mesmo tempo que ganhei uma filha de 7 anos, um cachorro e todas as responsabilidades que envolvem isso. Graças a Deus minha irmã sobreviveu. Graças ao socorro. Graças ao tempo que parou e nos permitiu viver tudo aquilo que em apenas 15 minutos (que pareceram horas na minha cabeça)”.

Por fim, Caroline pede justiça ao caso e diz que não perdeu a esperança. “Eu não perdi a fé. Não perdi a esperança na justiça. O mínimo que minha mãe merece é que o assassino pague pelo que ele fez, já que não há mais nada que possa ser feito. O mínimo que minha irmã merece é estar segura, é crescer bem e, quando tiver idade e maturidade para entender a dimensão de tudo, saber que existiu justiça para ela e nossa mãe. Que não viraram só mais um número em uma estatística. Isso não acabou”, finalizou.

Daniel segue preso em uma unidade prisional. O processo continua em andamento na justiça e o juiz deve decidir se o réu vai ser submetido ao tribunal do júri ou outras medidas.

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